O PROTECT da OMS fortalece o papel da educação em natação básica e segurança aquática na prevenção dos afogamentos
- 31 de jul.
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Quem acompanha a evolução da prevenção dos afogamentos sabe que a ideia das múltiplas camadas de proteção não surgiu agora. Há muitos anos, a literatura científica e as principais organizações internacionais defendem que nenhuma intervenção, isoladamente, é capaz de prevenir os afogamentos.
Supervisão, barreiras físicas, ambientes mais seguros, legislação, resposta às emergências, educação e ensino da natação sempre fizeram parte dessa construção.
Por isso, o principal mérito do PROTECT, lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), não é apresentar um conceito novo. O nome PROTECT é um acrônimo em inglês criado pela OMS para identificar seu novo pacote técnico para prevenção dos afogamentos. Cada letra representa uma das sete estratégias que compõem essa abordagem integrada.
Sua maior contribuição é consolidar o conhecimento acumulado nas últimas décadas em um plano global de ação, organizado de forma a deixar mais claro o papel que cada segmento da sociedade desempenha na prevenção dos afogamentos.
Essa organização reforça que prevenir afogamentos é uma responsabilidade compartilhada. Algumas estratégias dependem prioritariamente do poder público. Outras envolvem os sistemas de saúde, educação, assistência social, defesa civil e transporte. E uma delas é dedicada, especificamente, à educação em natação básica e segurança aquática.
Esse fortalecimento merece atenção.
A educação em natação básica e segurança aquática já aparecia em documentos anteriores da OMS como uma intervenção importante para a prevenção dos afogamentos. No PROTECT, porém, ela passa a integrar uma das sete estratégias que estruturam a atuação global proposta pela organização.
Naturalmente, a OMS não atribui essa responsabilidade exclusivamente às escolas de natação. A educação em natação básica e segurança aquática pode acontecer por diferentes caminhos, como programas públicos, projetos sociais, iniciativas comunitárias ou sistemas educacionais. Mas é impossível falar dessa estratégia sem reconhecer o papel que as escolas de natação desempenham diariamente.
Essa valorização, entretanto, vem acompanhada de um compromisso.
O próprio nome da estratégia é bastante revelador. A OMS não fala apenas em ensino da natação. Ela fala em educação em natação básica e segurança aquática.
A diferença não é apenas semântica.
Ela reforça que ensinar natação não pode significar apenas ensinar os quatro nados ou desenvolver habilidades motoras dentro da piscina. O processo educativo precisa contemplar também as competências aquáticas e os conhecimentos necessários para uma interação mais segura com os diferentes ambientes aquáticos.
Em outras palavras, segurança aquática não deve ser tratada como um conteúdo complementar ou uma aula eventual. Ela precisa fazer parte da própria entrega do serviço.
Existe uma diferença importante entre ensinar natação e oferecer educação em natação básica e segurança aquática.
O PROTECT não trata essas duas dimensões como coisas separadas. Pelo contrário. A OMS as reúne na mesma estratégia, reforçando que aprender a nadar e aprender a interagir com a água de forma segura fazem parte da mesma proposta educativa.
Isso significa incorporar, de forma planejada e progressiva, conteúdos relacionados à percepção de riscos, comportamentos seguros, tomada de decisão, respeito aos próprios limites, procedimentos de emergência e outros conhecimentos compatíveis com a idade e o desenvolvimento dos alunos.
Essa integração já faz parte da prática de muitas escolas comprometidas com a qualidade do Ensino. O PROTECT reforça que essa integração entre aprendizagem da natação e segurança aquática não é apenas uma boa prática pedagógica. Ela passa a integrar uma estratégia global de prevenção dos afogamentos reconhecida pela Organização Mundial da Saúde.
Mais do que um novo documento, o PROTECT tende a se tornar uma referência para governos, gestores, pesquisadores e organizações envolvidas com a prevenção dos afogamentos. É razoável esperar que seus princípios influenciem políticas públicas, programas de formação, financiamento de projetos e futuras recomendações internacionais. Compreender essa proposta desde agora significa estar preparado para um movimento que provavelmente influenciará o desenvolvimento da segurança aquática nos próximos anos.
O PROTECT não estabelece como cada instituição deve atuar. Essa interpretação precisa ser construída a partir das sete estratégias apresentadas pela OMS.
Na interpretação do INATI, este é o papel das escolas de natação e similares dentro das sete estratégias do PROTECT
Estratégia do PROTECT | Papel da educação em escolas de natação e similares |
P – Infraestrutura para interação segura com a água | Apoiador. Contribui orientando sobre ambientes seguros, barreiras físicas e redução de riscos, mas infraestrutura, normas e fiscalização dependem prioritariamente do Estado e dos responsáveis pelos ambientes aquáticos. |
R – Capacidade de resgate e reanimação | Participação direta. Programas de educação em natação básica e segurança aquática podem preparar profissionais para prevenção, reconhecimento de emergências, resgate seguro, primeiros socorros e reanimação, fortalecendo a capacidade de resposta. |
O – Segurança ocupacional no trabalho próximo à água | Participação direta. Instituições que oferecem educação em natação básica e segurança aquática devem manter protocolos de segurança, gestão de riscos e capacitação permanente de suas equipes. |
T – Segurança no transporte aquático | Apoiador. Pode promover educação sobre comportamentos seguros e uso adequado de coletes salva-vidas, enquanto regulamentação e fiscalização são responsabilidades do Estado. |
E – Educação em natação básica e segurança aquática | Participação direta e central. É a estratégia em que essa atividade assume protagonismo, desenvolvendo competências aquáticas e promovendo segurança aquática como parte indissociável da aprendizagem. |
C – Sistemas de cuidado e proteção da criança | Apoiador. Contribui por meio de protocolos de supervisão, proteção da criança e orientação às famílias, enquanto os sistemas de proteção dependem prioritariamente das políticas públicas. |
T – Preparação para enchentes e outras ameaças | Apoiador. Pode ampliar a educação preventiva e a conscientização sobre riscos, mas planejamento, monitoramento e resposta permanecem como responsabilidades dos governos e da Defesa Civil. |
O PROTECT não muda aquilo que já sabíamos sobre prevenção dos afogamentos. Mas fortalece, organiza e legitima esse conhecimento em um plano global de ação.
Para quem atua com a educação em natação básica e segurança aquática, a mensagem é clara: ensinar a nadar continua sendo essencial. Ensinar segurança aquática também. No PROTECT, a Organização Mundial da Saúde passa a apresentar explicitamente a educação em natação básica e segurança aquática como uma das sete estratégias da prevenção dos afogamentos.
Nota do INATI: O quadro acima representa uma interpretação técnica elaborada pelo INATI com base no documento PROTECT – Seven Strategies to Prevent Drowning da Organização Mundial da Saúde. A classificação dos papéis da educação em natação básica e segurança aquática não faz parte do documento original da OMS.
Referência
World Health Organization. PROTECT: Seven Strategies to Prevent Drowning. Geneva: World Health Organization, 2026.



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