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Manifesto pela Segurança Aquática


Mesmo que a sociedade não perceba e, portanto, não se importe muito com o grave problema dos afogamentos, ele existe. É devastador e altera a vida de milhares de pessoas e famílias todos os anos.


No Brasil, em 2020, aconteceram 5.818 mortes por afogamento, sendo que 1.530 foram de crianças. Trazendo para uma ordem de grandeza diária, a média de 16 mortes no total e 4 dessas mortes, de crianças. Mas o problema não para por aí. Os afogamentos são divididos em três categorias; afogamentos fatais, afogamentos não fatais sem sequelas e afogamentos não fatais com sequelas. Se somarmos os 3 tipos, estima-se que o número seja de cerca de 100 mil casos por ano.


A sociedade civil, através de entidades como a pioneira SOBRASA – (Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático) e o INATI (Instituto de Natação Infantil) vem se mobilizando para diminuir esses incidentes há muitos anos, e isso vem contribuindo para a redução dos casos, que caíram cerca de 50% nos últimos 40 anos. Mesmo com essa queda, os números ainda são muito robustos, colocando o Brasil entre os países que mais sofrem com esse gravíssimo problema.


O valoroso trabalho do Corpo de Bombeiros deve ser evidenciado, não só pelo atendimento cada vez mais qualificado, mas pelas iniciativas de prevenção. Junto deles os guarda-vidas que fazem um excelente trabalho em uma parte dos mais de 8 mil km de praias que temos em nosso litoral, além de outros espelhos d'água.


E como podemos acelerar o processo de diminuição do número de afogamentos até chegarmos muito próximo da extinção? Temos que mobilizar a sociedade de maneira contundente, através do convencimento para mudar a postura frente aos afogamentos, entendendo que mais de 90% deles são perfeitamente evitáveis, se os comportamentos e atitudes forem na direção da prevenção.


Como bem diz o Dr David Szpilman, reconhecida autoridade internacional no assunto, o afogamento não é um acidente, pois na maioria dos casos ele é prevenível, então as atitudes preventivas podem eliminar a maioria deles.


Temos que acelerar o trabalho com as novas gerações. As crianças devem ser ensinadas como se portar nos diferentes ambientes aquáticos, seja em aulas de natação ou nas escolas regulares, afinal elas são os vetores de transmissão de informações para as famílias. Também são propagadoras de novos comportamentos gerando a conscientização, tão desejada, nos médio e longo prazos.


É necessário esclarecer que disseminar informação sobre segurança aquática não está atrelada a ter necessariamente um ambiente específico para isso. Os conceitos e informações podem ser transmitidos em qualquer local, por isso a necessidade de intensificar o trabalho junto as escolas regulares desde a pré-escola até a universidade. Levar este conhecimento através de aulas especiais, ou melhor ainda, inclusão na grade curricular de educação física, trará um ganho expressivo na expansão da ideologia da prevenção aquática.


Nessa cruzada contra os afogamentos cabe ainda um papel especial para o profissional de Educação Física. Se ancorarmos nosso pensamento na transformação de mentalidade necessária e o papel de indutor dessa mudança nas novas gerações, sabemos que o Profissional de Educação Física, sendo da área da saúde e com seu trabalho preventivo na maior parte das vezes, tem uma correlação absoluta com essa causa. Não só os que estão atuando nas atividades aquáticas, mas todos que trabalham com crianças, em academias ou na educação escolar, por isso é uma obrigação para com a sociedade participar dessa luta e atuar na conscientização da prevenção dos afogamentos.


Assim, conclamamos a todos, mas em especial, os Profissionais de Educação Física para participarem ativamente dessa frente de combate aos afogamentos.


Prevenir é Melhor!




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